O Céu de Lá - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro | Dir: Bernardo Tavares Rosa - 24 min
O som das turbinas de avião em atividade, presente na abertura, fim e nos meios de ”O Céu de Lá”, dirigido por Bernardo Tavares, indica a passagem das coisas. Remontando a história das mulheres migrantes da sua família, com foco em Maria e Luiza, avó e tia-avó do diretor, pensa-se sobre distâncias e tempo.
O som de rádio enquanto Fagner toca a música de Nando Cordel ”Você endoideceu meu coração” é acompanhado por um andar devagar de uma senhora em um andador. O forró indica o nordeste. As memórias vão se soltando com o apreço pelas fotografias e os olhares no horizonte. Nasci, me criei, trabalhei, namorei e tomei banho de rio lá - é parte das lembranças de Luiza sobre o Ceará de origem, aqui transcritas com o perdão da eventual perda de detalhes pelo efeito do tempo entre a exibição e a escrita. Esse mesmo tempo que leva coisas, mostra o que vai ficar e o que não foi. Sonhando em casar com um doutor e ter cinco filhos, Maria se casa com um caminhoneiro que morre de malária e assim ela migra. A irmã queria ser policial ou repórter, já que repórter anda muito. A realidade se impõe ao sonho. O sotaque diferente entre mães, filhas e neto é mais um caminho da migração do tempo.
Envelhecer é rememorar a vida. É ver o trajeto do avião que decolou há um bom tempo e que tem destino certo, mas por caminhos nem sempre claros. Há cinquenta anos de distância do Ceará, o que fica na memória é a beleza de antes, a santa que apareceu no céu, o triste dia que a seleção foi tricampeã e as memórias gravadas pelo neto enquanto se senta fora de casa, esperando o próximo avião passar.
Outras Maneiras - Universidade Federal da Paraíba | Malu Ramos - 5min
Em cinco minutos de doçura e bela homenagem, Malu Ramos, diretora de ”Outras Maneiras”, nos ensina como e com quem aprendeu sobre formas de amor. Ao som do apertar de uma câmera analógica, Malu expõe suas poses infantis e seus cliques surpreendidos.
Todo esse arquivo pessoal é trazido não para pensar tão somente sobre si e suas fotos, mas puxa de memória o não presente explicitamente no processo fotográfico. A ela interessa o autor, seu pai. Trazendo no audiovisual, que tem uma relação bastante próxima com as imagens até mesmo fixas, os poderes da autoria e da imagem revelada enquanto canal de comunicação afetivo. À memória, voltam os cliques, o cheiro de envelopes de fotos e o pai sempre presente nesse processo. Ele não questiona a câmera, diz Malu quando assume o papel do pai. Mais como ele se sente quando, trajado de luvas de boxe, ele faz pose perto dos vinis como ainda pequena ela faria na praia.
A intimidade inscrita sobre os dois, na mesma matéria-prima que sempre os envolveu, é uma declaração de amor de uma relação sobre minúcias e carinho a um processo de formação. Aprendemos a amar coisas com nossos pais e assim também é forma de declarar "eu te amo".
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